O preço das tecnologias híbridas e elétricas é o principal obstáculo para a Volkswagen ampliar a oferta de veículos eletrificados no Brasil, afirmou o presidente da montadora no país, Ciro Possobom, em entrevista concedida em 23 de dezembro de 2025.
Impacto no modelo Tera
Possobom citou o SUV compacto Tera, vendido hoje a cerca de R$ 120 mil, como exemplo do desafio. Segundo ele, equipar o modelo com um sistema híbrido leve elevaria o valor em aproximadamente R$ 10 mil. Caso a opção fosse por um híbrido completo, o acréscimo poderia chegar a R$ 30 mil ou R$ 40 mil. “Um cliente de R$ 120 mil não é o mesmo de R$ 160 mil”, resumiu o executivo, enfatizando a necessidade de manter preços compatíveis com o poder de compra do público brasileiro.
Concorrência já eletrificada
Enquanto a Volkswagen ainda não oferece veículos híbridos ou elétricos para venda no país, rivais como Fiat, Toyota, Ford e Honda já contam com opções eletrificadas em diferentes faixas de preço. O avanço das marcas chinesas, focadas em modelos elétricos, também pressionou o mercado: dados da Anfavea indicam que a participação de veículos importados chegou perto de 20% em 2025, frente a 13% três anos antes.
Oferta restrita por assinatura
No momento, os únicos carros eletrificados da Volkswagen disponíveis no Brasil são os 100% elétricos ID.4 e ID.Buzz, oferecidos exclusivamente por meio de assinatura. Não há modelos híbridos ou elétricos à venda nas concessionárias.
Lançamentos eletrificados a partir de 2026
A empresa promete mudar o cenário em breve. Conforme Possobom, todos os veículos produzidos localmente e lançados a partir de 2026 terão ao menos uma versão eletrificada. Para acelerar o projeto, a montadora contratou financiamento de R$ 2,3 bilhões junto ao BNDES.
Foco em híbridos flex
O executivo destacou que, pelas características de uso no Brasil — com percursos médios entre 13 mil e 15 mil quilômetros por ano e viagens frequentes com a família —, os híbridos flex se mostram a solução mais viável no curto prazo. “Um híbrido leve, um HEV e um plug-in hybrid estão nas nossas opções, além dos elétricos puros”, afirmou.
Produção local priorizada
Apesar de considerar a importação de veículos elétricos fabricados na China, como já fazem Chevrolet e Stellantis, Possobom disse preferir a produção nacional, por entender que isso garante melhor adequação às necessidades do consumidor brasileiro e preserva o valor de revenda dos carros.
Com informações de G1

