A indústria automotiva da China fechou o período de janeiro a novembro de 2025 com margem de lucro média de 4,4%, segundo a China Passenger Car Association (CPCA). O percentual, segundo menor da série histórica, representa ganho de apenas 14.000 yuans por veículo — cerca de US$ 2.000 ou R$ 11,1 mil.
Receita bilionária, lucro enxuto
No acumulado de 11 meses, o setor faturou 10,00 trilhões de yuans (US$ 1,42 trilhão), alta anual de 8,1%. Os custos, porém, avançaram 9% e atingiram 8,84 trilhões de yuans, limitando o lucro total a 440,3 bilhões de yuans (US$ 62,6 bilhões).
Em novembro, a receita somou 1,14 trilhão de yuans (US$ 163 bilhões), crescimento de 9,7% ante igual mês de 2024. As despesas subiram 11,4% no mesmo comparativo, mantendo a margem mensal em 4,4% — ligeiramente acima dos 3,9% registrados em outubro.
Pressão de custos e guerra de preços
Analistas apontam duas razões principais para a rentabilidade reduzida:
- encarecimento de matérias-primas para baterias, mão de obra e investimentos em tecnologia e distribuição;
- guerra de preços iniciada nos elétricos e híbridos, que se estendeu aos modelos a combustão.
O impacto é perceptível nos balanços das montadoras. A Great Wall Motor, por exemplo, aumentou a receita em quase 8% nos três primeiros trimestres, mas viu o lucro líquido recuar cerca de 17% pelo efeito combinado de maiores gastos e competição acirrada.
Varejo no vermelho
Dados do portal chinês Autohome indicam que mais de 70% dos modelos vendidos no país operam com prejuízo, ao passo que mais da metade das concessionárias registra perdas financeiras.
Produção em alta e avanço da eletrificação
Entre janeiro e novembro, a China produziu 31,09 milhões de veículos, 11% a mais que no mesmo intervalo de 2024. Os veículos de nova energia (elétricos e híbridos) somaram 14,53 milhões de unidades, salto de 27% e participação de 47%. Já os modelos a combustão totalizaram 16,57 milhões de unidades, praticamente estáveis.
Com margens apertadas, fabricantes chineses intensificam exportações e buscam novos mercados, estratégia considerada vital para diluir custos e sustentar volumes de produção.
Com informações de Motor1

