Usar óleo mais barato pode gerar prejuízo alto e até retífica, alertam mecânicos

Ronald Doria
3 Min Leitura

Trocar o lubrificante recomendado pela montadora por um produto apenas mais barato pode sair muito caro. Mecânicos consultados ressaltam que o óleo do motor é definido durante o desenvolvimento do propulsor e deve atender a requisitos de temperatura, folgas internas e rotação, entre outros fatores. Quando se utiliza um óleo diferente, há risco de formação de borra, entupimento de dutos, desgaste acelerado de peças móveis e, em casos extremos, necessidade de retífica.

Quando realizar a troca

O intervalo correto para substituição do lubrificante está indicado no manual do proprietário. No Volkswagen Gol Last Edition, por exemplo, a troca é recomendada a cada 10 000 km ou 12 meses, o que ocorrer primeiro. O documento ainda prevê antecipação em condições severas, como trânsito intenso, percursos curtos ou uso em vias de muita poeira.

Para motocicletas, os prazos são menores. A Honda CG 160 exige troca a cada 6 000 km ou 12 meses, enquanto a scooter Elite 125 pede substituição a cada 4 000 km.

Tipos de lubrificante

O mercado oferece três categorias:

  • Mineral – custo mais baixo, menor durabilidade, indicado para veículos antigos;
  • Semissintético – combinação de bases mineral e sintética, preço intermediário;
  • Sintético – maior tecnologia, exigido por motores modernos.

Todos os veículos atuais saem de fábrica com óleo sintético, projetado para reduzir atrito, melhorar o consumo e controlar a temperatura de operação.

Mitos sobre viscosidade

É falsa a ideia de que motores com alta quilometragem precisem de óleo mais grosso. Se a manutenção for feita corretamente, as folgas internas permanecem dentro do padrão, dispensando mudança de viscosidade. Cada motor tem especificação própria, identificada por códigos como 0W30, 10W40 ou 20W50, associada a normas (ex.: VW 508 88) que devem constar no rótulo do produto.

Misturar ou completar

Misturas só são aceitáveis em emergências e com óleos aprovados pela mesma norma técnica; fora disso, aditivos diferentes podem reagir e formar borra. Se for preciso completar o nível para seguir viagem, recomenda-se substituir todo o conteúdo assim que possível.

Preço não garante qualidade

Lubrificantes mais caros nem sempre são melhores para determinado veículo. O que importa é atender às especificações do manual. Gastar mais em um óleo com tecnologia excedente pode representar despesa desnecessária sem benefício para o motor.

Correia banhada a óleo

Alguns motores turbinados usam correia de comando interna lubrificada pelo próprio óleo do motor. O produto inadequado pode acelerar a oxidação, corroer o material e provocar rompimento prematuro, resultando em choques entre pistões e válvulas e alto custo de reparo.

Danos provocados pelo óleo errado

Entre as consequências estão formação de depósitos, superaquecimento, desgaste excessivo, aumento de emissões e até fundição do motor. Especialistas reforçam que o lubrificante certo nasce de testes conjuntos entre montadora e fabricante do óleo; desrespeitar essa indicação compromete desempenho e durabilidade.

Com informações de G1

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