Volkswagen vê custos do projeto Scout saltarem para US$ 3 bilhões e encara impasse de até US$ 1 bilhão com rede de vendas

Redação GSC
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Wolfsburg/Blythewood, 5 de fevereiro de 2024 – O Grupo Volkswagen enfrenta um aumento de 50% no orçamento destinado à Scout Motors, marca criada para produzir picapes e utilitários esportivos elétricos nos Estados Unidos. O investimento industrial previsto subiu de US$ 2 bilhões para aproximadamente US$ 3 bilhões antes mesmo de o primeiro veículo sair da linha de montagem.

Escalada de despesas

A elevação dos custos é atribuída à inflação de insumos como aço e concreto, à escassez de mão de obra especializada e à decisão de ampliar o complexo fabril de Blythewood, na Carolina do Sul, incluindo um parque de fornecedores. As primeiras entregas dos modelos Scout Terra e Scout Traveler estão programadas para o fim de 2027 ou início de 2028.

Nova estratégia mecânica

Diante da relutância de parte do público norte-americano em adotar veículos totalmente elétricos, a Scout Motors anunciou versões EREV (Extended-Range Electric Vehicle) equipadas com o sistema Harvester. O conjunto utiliza um motor a combustão apenas como gerador, sem ligação mecânica às rodas. Segundo o CEO Scott Keogh, entre 80% e 85% das reservas optaram por essa configuração, obrigando a fabricante a adaptar o projeto original.

O motor previsto é da família EA211, produzido em Silao (México), instalado atrás do eixo traseiro para preservar o porta-malas dianteiro e melhorar a distribuição de peso. A bateria LFP deverá ter entre 60 e 70 kWh, oferecendo cerca de 240 km de autonomia elétrica e mais de 800 km de alcance total com o gerador em operação.

Impacto local

Os gastos do governo da Carolina do Sul também aumentaram. A preparação do terreno e o cumprimento de exigências ambientais já provocaram um déficit superior a US$ 150 milhões nos cofres estaduais.

Rede de concessionários em disputa

O plano inicial de vendas diretas ao consumidor, inspirado em Tesla, Rivian e Lucid, enfrenta resistência das associações de concessionários nos Estados Unidos. Se a Scout perder as disputas judiciais, terá de escolher entre utilizar a rede Volkswagen – reduzindo margens – ou investir entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões para criar sua própria estrutura de vendas e serviços.

Pressão interna na Volkswagen

O aumento de custos ocorre enquanto a Volkswagen AG executa um programa de corte de despesas de €12 bilhões até 2026 e mantém parcerias tecnológicas com concorrentes diretos da Scout, como a Rivian. Dentro do grupo alemão, cresce a preocupação de que o projeto possa se transformar em um dos empreendimentos mais caros da indústria automotiva recente.

Com informações de Motor1

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