Mais de quatro em cada dez executivos da indústria automotiva acreditam que podem perder o emprego até 2026, mostra o AlixPartners 2026 Disruption Index, divulgado em 19 de fevereiro. O percentual, superior ao registrado em qualquer outro segmento, reflete a rápida transformação do setor.
O estudo ouviu mais de 3.000 profissionais de nível diretivo ou superior em 11 países. Entre eles, 60% ocupam cargos C-level em companhias com faturamento mínimo de US$ 100 milhões.
Por que o receio cresceu
A transição para veículos elétricos e definidos por software, o avanço da condução autônoma, tensões comerciais com a China e a inflação global ampliaram a complexidade da gestão nas montadoras. Grandes grupos como Ford, Volkswagen, General Motors e Porsche já anunciaram cortes de pessoal previstos para 2025, sinalizando que a disrupção atinge diretamente os postos de trabalho.
As áreas mais vulneráveis são as ligadas à produção tradicional e à cadeia de suprimentos, onde modelos de desenvolvimento em uso há décadas estão sendo substituídos por ciclos mais curtos e tecnológicos.
Inovação também traz oportunidades
Apesar do cenário de incerteza, 72% dos entrevistados enxergam novas fontes de receita em tecnologias como veículos autônomos, sistemas avançados de assistência ao motorista, inteligência artificial e carros baseados em software, inclusive por meio de assinaturas digitais e serviços adicionais.
Segundo Dan Hearsch, co-líder global da prática automotiva e industrial da AlixPartners, a chegada de produtos radicalmente diferentes “muda tudo: requisitos de teste, ciclos de desenvolvimento, competências necessárias e prazos de lançamento”, redefinindo prioridades e decisões na gestão das empresas.
Até o momento, os longos ciclos de desenvolvimento limitam o uso da inteligência artificial para gerar receita, concentrando sua aplicação na redução de custos, ainda pressionados por matérias-primas e logística.
Enquanto risco e inovação avançam juntos, compreender quais funções estão mais expostas torna-se essencial para trabalhadores e empresas que planejam a mobilidade dos próximos anos.
Com informações de Motor1

