São Paulo – A Chery confirmou a aquisição da planta da Nissan em Rosslyn, na África do Sul, e mantém conversas preliminares para utilizar instalações da Jaguar Land Rover (JLR) no Reino Unido. As iniciativas fazem parte da estratégia do grupo chinês de expandir a produção fora do país de origem aproveitando estruturas já existentes.
Compra da fábrica sul-africana
Inaugurado em 1966, o complexo de Rosslyn vem operando com grande ociosidade desde a saída de linha da picape Nissan NP200, em março de 2024. A negociação com a Chery abrange terrenos, prédios e a unidade de estamparia, com conclusão prevista para meados de 2026, sujeita a aprovações regulatórias.
O acordo prevê a manutenção da maior parte dos 1.080 funcionários, assegurando também a continuidade da rede de fornecedores local. Sob o novo comando, a fábrica deverá produzir um utilitário-esportivo, embora o modelo ainda não tenha sido divulgado. A operação tornará a Chery o terceiro fabricante chinês com produção no país, ao lado de BAIC e Foton.
A queda na produção de Rosslyn começou após o cancelamento da sucessora da NP200, que seria desenvolvida na Rússia. As tensões geopolíticas levaram a aliança Renault-Nissan a deixar o mercado russo em outubro de 2022, resultando posteriormente no processo de reestruturação da unidade sul-africana. Atualmente, apenas a picape Navara é montada ali, em volumes insuficientes; a fabricação será encerrada em maio e o modelo passará a ser importado da Tailândia.
Tratativas no Reino Unido
Paralelamente, fontes do governo britânico relataram ao Financial Times que há diálogo para que a Chery utilize capacidade ociosa de uma fábrica da JLR. O tema deve integrar a agenda de uma visita oficial do primeiro-ministro Keir Starmer à China.
Para Londres, atrair novos projetos é visto como crucial para recuperar o volume anual de produção — a meta é atingir 1,3 milhão de veículos até 2035, quase o dobro das 738 mil unidades projetadas para 2025. Já para a Chery, produzir em solo britânico reduziria custos logísticos, tarifas e reforçaria o crescimento das marcas Omoda e Jaecoo, que ganham participação no mercado local.
A JLR, controlada pela indiana Tata Motors, ainda se recupera de um ataque cibernético que interrompeu por mais de um mês as linhas de Halewood e Solihull no ano passado. A inclusão de modelos da Chery nessas unidades poderia elevar a escala e diluir custos. As duas empresas já mantêm parceria: em 2024, firmaram acordo para que a chinesa desenvolva elétricos sob a marca Freelander.
As discussões no Reino Unido seguem em estágio inicial, sem definição de prazos ou modelos, enquanto a transação na África do Sul avança para a fase de aprovação regulatória.
Com informações de Motor1

