A integração de entradas de ar camufladas, maçanetas embutidas e sensores ocultos está modificando a aparência dos veículos lançados nos últimos anos. Montadoras como BMW, Tesla, Audi e marcas do grupo Stellantis apostam em soluções que escondem dispositivos técnicos sem comprometer sua função, abrindo caminho para uma estética mais limpa e aerodinâmica.
Entradas de ar disfarçadas
Tradicionalmente associadas à potência do motor, as grandes aberturas frontais vêm perdendo espaço. Modelos elétricos ou com motores mais eficientes, como BMW i4, BMW iX, Fiat Panda, Lancia Ypsilon e Hyundai Ioniq 6, direcionam a maior parte do fluxo de ar pela parte inferior do para-choque. Grades fechadas servem de suporte para radares e demais sensores, enquanto dutos internos, desenvolvidos em túnel de vento, mantêm o resfriamento adequado.
Maçanetas que quase desaparecem
Para suavizar as laterais, diversas fabricantes adotam maçanetas niveladas com a carroceria. O Audi Q4 e-tron utiliza peças que se projetam apenas alguns milímetros; o Tesla Model 3 recorre a um sistema totalmente embutido acionado por pressão. No Renault Clio, a maçaneta traseira é integrada à coluna, estratégia semelhante à implementada pela Alfa Romeo ainda nos anos 1990. Em versões mais recentes da Tesla, sensores de proximidade permitem destravar as portas com mínima intervenção do usuário.
Sensores escondidos
Com a expansão de sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS), aumentou a quantidade de radares, câmeras e dispositivos ultrassônicos nos carros. Ainda assim, esses componentes quase não aparecem. Grades fechadas — caso do Citroën C3 — concentram sensores frontais, enquanto Mercedes EQE e BMW Série 7 camuflam radares traseiros em logotipos ou faixas escuras do para-choque. Retrovisores e molduras de vidro também abrigam câmeras e emissores de ultrassom, preservando a fluidez das linhas.
Segurança segue no radar
Organizações como o clube automotivo alemão ADAC alertam para possíveis dificuldades de acesso em emergências quando maçanetas elétricas não dispõem de mecanismo mecânico de reserva. Na China, regulamentações recentes limitam a adoção de puxadores exclusivamente elétricos, exigindo alternativa manual rápida. As medidas servem de lembrete para que o design minimalista não comprometa a usabilidade em situações críticas.
Ao esconder entradas de ar, puxadores e sensores sem afetar a funcionalidade, a indústria automotiva reforça a busca por superfícies limpas e eficiência aerodinâmica. O desafio, apontam especialistas, é manter a operação intuitiva e a segurança do usuário mesmo quando quase tudo parece invisível.
Com informações de Motor1

