Honda amarga prejuízo de R$ 18,5 bilhões após rever estratégia de carros elétricos

Ronald Doria
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A Honda informou um prejuízo anual de US$ 3,6 bilhões (cerca de R$ 18,5 bilhões), o primeiro em quase sete décadas como companhia de capital aberto. O resultado negativo foi atribuído a uma reestruturação de US$ 15,7 bilhões (R$ 80,9 bilhões) em seu plano de eletrificação, que incluiu o cancelamento de três modelos que seriam produzidos na América do Norte: Honda 0 SUV, Honda 0 Saloon e Acura RSX.

Segundo a agência Reuters, a decisão faz parte de uma revisão da estratégia da montadora diante da queda na demanda por veículos elétricos. A mudança também reflete dificuldades no mercado chinês, onde a empresa tem perdido terreno para concorrentes como a BYD.

Executivos cortam salários

O presidente-executivo Toshihiro Mibe classificou o cenário como “muito difícil” para manter a rentabilidade. Depois do anúncio, os recibos de ações da Honda negociados nos Estados Unidos recuaram 8% no pregão pré-abertura.

Mibe e o vice-presidente Noriya Kaihara reduzirão voluntariamente 30% de suas remunerações pelos próximos três meses. Outros executivos farão cortes de aproximadamente 20% nos salários.

Projeções revisadas

A montadora agora estima encerrar o ano fiscal, em março, com a mesma perda de US$ 3,6 bilhões. A projeção anterior apontava lucro próximo de US$ 3 bilhões (R$ 15,4 bilhões). Para a analista Julie Boote, da Pelham Smithers Associados, o mercado já esperava impacto financeiro, mas o cancelamento integral da produção nos Estados Unidos surpreendeu.

Impacto em todo o setor

As dificuldades da Honda se somam a ajustes de outras fabricantes. A Stellantis anunciou baixas contábeis de 25,4 bilhões de euros, enquanto a Ford prevê um ajuste de US$ 19,5 bilhões e a General Motors calcula impacto de US$ 6 bilhões. O Grupo Volkswagen, por sua vez, registrou efeito de 5,1 bilhões de euros após rever o portfólio elétrico da Porsche.

Com várias montadoras repensando investimentos e prazos, o segmento de veículos elétricos passa por um momento de forte reavaliação estratégica.

Com informações de G1

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