Em 2008, um carregamento de 300 unidades do Ford Focus, produzido na Argentina para abastecer o mercado venezuelano, foi redirecionado ao Brasil e comercializado internamente pela própria Ford. O caso repete o que havia ocorrido anos antes com o Chevrolet Monza SR destinado ao país vizinho.
Como o lote chegou ao Brasil
A Venezuela, que nos anos 1950 e 1960 atraiu uma forte indústria automotiva graças às vastas reservas de petróleo, enfrentava dificuldades para extrair o óleo cru no início dos anos 2000 em razão de falta de investimentos, sanções internacionais e corrupção. Com a demanda em declínio, parte das encomendas de veículos foi cancelada, incluindo o pedido do Focus importado da fábrica argentina.
Sem mercado para as 300 unidades já montadas, a Ford resolveu trazê-las ao Brasil e destiná-las à frota interna. Todos os carros mantinham o padrão de acabamento pensado para a Venezuela, superior ao oferecido na versão equivalente vendida oficialmente no País.
Diferenciais do Focus “venezuelano”
As unidades pertenciam à configuração intermediária GLX e traziam itens que não eram comuns no Focus brasileiro daquela época:
- Freios a disco nas quatro rodas com ABS;
- Duas luzes de ré;
- Cinto de três pontos e apoio de cabeça para o passageiro central traseiro;
- Faróis de neblina de série;
- Limpador de para-brisa com temporizador ajustável;
- Emblema “2.0 Duratec” na tampa traseira, posicionado à direita.
Os carros utilizavam o motor 2.0 Duratec e podiam ser equipados com câmbio manual ou automático. Hoje, são raridade nas ruas e começam a ganhar valor entre colecionadores que buscam modelos “neo-colecionáveis”.
Indústria automotiva encolhe na Venezuela
O recuo da atividade econômica venezuelana atingiu todo o setor automotivo. A Chevrolet encerrou suas operações locais em 2017, seguida por Ford e FCA (atual Stellantis). Atualmente, apenas a Toyota mantém produção no país.
O ocorrido com o Focus ilustra como a crise venezuelana impactou até mesmo veículos já produzidos, que precisaram encontrar novos mercados para não ficarem encalhados.
Com informações de Motor1

