A Nissan pode vir a mudar de mãos no futuro. Em entrevista ao The Financial Times, o novo diretor-presidente da fabricante japonesa, Iván Espinosa, afirmou que “tudo pode acontecer neste mundo maluco” quando questionado sobre uma eventual venda da empresa, até mesmo para investidores chineses.
Reestruturação profunda em curso
Espinosa assumiu o comando após o conselho substituir Makoto Uchida. O executivo lidera um plano de cortes considerado o mais radical da história recente da montadora:
- Fechamento de sete fábricas e dois estúdios de design;
- Redução de aproximadamente 20 mil postos de trabalho;
- Previsão de prejuízo líquido de US$ 4,2 bilhões no exercício fiscal que se encerra em 31 de março de 2026, após perdas de US$ 4,5 bilhões no ano anterior.
Dificuldades para seguir sozinha
Segundo o CEO, manter relevância no setor automotivo tem sido “cada vez mais difícil” para empresas do porte da Nissan. Ele revelou que suas manhãs “assustam” pela quantidade de desafios a enfrentar, que incluem enxugar custos e renovar uma linha de produtos envelhecida.
Negociações passadas e alianças frágeis
Há cerca de um ano, conversas com a Honda fracassaram após a rival propor deter a maioria do conselho e indicar o presidente da companhia combinada, o que foi interpretado pela Nissan como tentativa de aquisição.
Enquanto isso, a parceira histórica Renault diminuiu gradualmente sua participação: hoje possui 35,71% da Nissan, mas apenas 17,05% de forma direta; os 18,66% restantes estão em um truste francês do qual a Renault é beneficiária. Recentemente, a marca francesa firmou acordo com a Ford para produzir dois veículos elétricos a partir de 2028, em vez de ampliar projetos conjuntos com a Nissan.
Metas de curto prazo
Apesar de não descartar uma venda, Espinosa garante que a prioridade é “caminhar com as próprias pernas”. O plano Re:Nissan pretende:
- Reduzir o tempo de desenvolvimento de um carro inédito para 37 meses;
- Lançar derivados em até 30 meses;
- Impulsionar modelos como Micra, Leaf, Versa, Sentra, Elgrand e a picape Frontier.
Na China, a joint venture Dongfeng Nissan já comercializa os sedãs híbrido plug-in N6 e elétrico N7, além da Frontier Pro híbrida plug-in, ilustrando a ofensiva da marca em mercados estratégicos.
Por ora, a Nissan segue implementando cortes e acelerando lançamentos na tentativa de recuperar competitividade, sem descartar, contudo, soluções mais drásticas caso o cenário exija.
Com informações de Motor1 Brasil

