São Paulo – A Porsche encerrou 2025 com 279.449 veículos entregues em todo o mundo, volume 10% menor que o registrado em 2024 e o pior desempenho comercial da marca nos últimos 16 anos.
China puxa retração
O maior tombo ocorreu na China, onde as vendas cederam 26% diante da desaceleração econômica e da ascensão de concorrentes locais de alta tecnologia, como BYD, Xiaomi e Huawei. O quadro negativo também afetou outras marcas premium: BMW caiu 12,5% e Mercedes-Benz, 19,3% no mesmo período.
Impacto das regras europeias
Na Europa, as entregas recuaram 16% na Alemanha e 13% nos demais países do continente. A queda está ligada à impossibilidade de homologar o 718 e o Macan a combustão sob as novas normas de cibersegurança da União Europeia, em vigor desde 2024. A produção europeia dos 718 Boxster e Cayman a gasolina foi encerrada em outubro de 2025, e o Macan a combustão deixou o mercado no fim de 2024. O recém-lançado Macan elétrico não compensou a lacuna.
Desempenho nos principais mercados
No Brasil, a Porsche licenciou 5.498 unidades entre janeiro e dezembro de 2025, queda de 11,8% sobre as 6.237 de 2024, segundo a Abeifa. É o primeiro recuo anual desde 2015. Nos Estados Unidos, principal mercado da marca, as vendas ficaram praticamente estáveis: 76.219 carros, apenas 52 a mais que em 2024, sustentadas por registros antecipados para driblar tarifas de importação.
Eletrificação abaixo do esperado
A procura pelo Taycan, primeiro modelo 100% elétrico da Porsche, encolheu cerca de 22% em 2025. No balanço global, veículos elétricos responderam por 22,2% das entregas, enquanto híbridos plug-in representaram 12,1%.
Novo comando
Desde 1º de janeiro, a montadora é liderada por Michael Leiters, ex-McLaren, que assumiu o desafio de reavaliar metas de eletrificação e retomar o crescimento. Internamente, a expectativa é de que 2025 marque o ponto mais baixo do atual ciclo de vendas.
Com informações de Motor1

