A Volkswagen encerra 2025 celebrando um crescimento de 18% nas vendas na América Latina e apostando no SUV Tera para sustentar o ritmo em 2026. Em entrevista ao g1, o presidente da Volkswagen do Brasil, Ciro Possobom, afirmou que o modelo desenvolvido no país já soma 60 mil unidades comercializadas entre mercado interno e exportações, liderando os emplacamentos de utilitários-esportivos.
Sucesso imediato nas concessionárias
O executivo lembra que, no dia em que as encomendas foram abertas, em junho, 12.200 veículos — o equivalente a três meses da produção da fábrica de Taubaté (SP) — foram reservados em menos de uma hora. O Tera, lançado oficialmente em 2025, divide a linha de montagem com o Polo.
Investimento bilionário e foco na eletrificação
Do pacote de R$ 20 bilhões já anunciado para a América Latina, parte será destinada a recuperar o atraso da marca na eletrificação. A Volkswagen firmou um empréstimo de R$ 2,3 bilhões com o BNDES para acelerar essa transição e promete que todos os modelos que chegarem às concessionárias a partir de 2026 terão alguma solução eletrificada.
Enquanto concorrentes como Toyota, Chevrolet e fabricantes chinesas oferecem carros híbridos ou elétricos no país, a Volks ainda não tem opção de venda — apenas os 100% elétricos ID.4 e ID.Buzz disponíveis por assinatura. Possobom atribui a demora ao impacto no preço final: um híbrido leve acrescentaria cerca de R$ 10 mil ao valor do veículo; um híbrido completo poderia elevar o preço em até R$ 40 mil. “Um carro de R$ 120 mil não pode virar um de R$ 160 mil”, resumiu.
Mercado brasileiro migra para SUVs
Dados da Fenabrave mostram que os utilitários-esportivos já representam 54% dos emplacamentos, contra 24,6% dos hatches. A Volkswagen oferece hoje seis SUVs (Tera, Nivus, T-Cross, Taos, Tiguan e o ID.4 por assinatura), dois hatches (Polo e Golf GTI), duas picapes (Saveiro e Amarok) e a minivan elétrica ID.Buzz. Apesar da predominância dos utilitários, Possobom sustenta que o segmento de hatches “continua importante”.
Condições para ampliar o mercado
A Fenabrave projeta 2,55 milhões de veículos zero-quilômetro vendidos em 2025, alta de 3% sobre 2024. Para Possobom, o avanço poderia ser maior com juros mais baixos — a Selic está em 15% desde junho —, maior volume de produção local e regras de emissões menos onerosas. Ele cita a fase L8 do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, em vigor desde janeiro, como uma das mais rigorosas do mundo e geradora de custos extras para as montadoras.
Ausência no Salão do Automóvel
Fora do Salão do Automóvel de São Paulo deste ano, a Volkswagen poderá voltar em 2027 se o evento contar com todas as grandes marcas e um formato “mais inovador”, declarou o presidente.
Possobom comanda a subsidiária brasileira da Volkswagen desde 2019.
Com informações de g1

