Bajaj registra no Brasil o design da scooter elétrica Chetak

Rafael Ramos
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Registro protege o projeto da Chetak no país, mas não indica venda. A Bajaj não confirmou importação ou produção; especialistas veem o ato como proteção de propriedade intelectual.

A Bajaj registrou no Brasil o desenho industrial da scooter elétrica Chetak, movimento que costuma gerar expectativa sobre uma possível comercialização oficial. O documento protege o projeto no país, mas não confirma que o modelo será vendido no mercado brasileiro.

Apesar do registro do desenho industrial, a própria empresa ainda não anunciou a importação ou produção da Chetak no Brasil. Especialistas e observadores do setor interpretam registros dessa natureza como uma forma de proteção intelectual e planejamento estratégico — prática comum entre fabricantes que desejam resguardar direitos sobre modelos antes de decidir sobre lançamentos comerciais.

O histórico recente do segmento elétrico no Brasil reforça a cautela: uma grande fabricante japonesa lançou uma moto 100% elétrica, apresentada no fim de 2024 e produzida em Manaus desde janeiro de 2025, que chegou ao mercado por R$ 33.990 e teve vendas muito reduzidas. Segundo a Fenabrave, essa marca não apareceu entre as 15 que mais emplacaram elétricas no país desde o início do ano. Em resposta ao desempenho comercial, houve cortes de preço: a moto recuou para R$ 25.990 em abril e hoje é anunciada por R$ 25.590 sem frete, permanecendo como a moto elétrica com maior preço de tabela no Brasil.

É esse cenário que a Chetak encontraria caso viesse a ser comercializada por aqui. Na Índia, a versão de entrada da família Chetak é vendida por um valor equivalente a cerca de R$ 5 mil, mas não há indicação de quanto o modelo custaria no Brasil, seja produzido localmente ou importado, considerando impostos, ajustes e exigências técnicas. Mesmo uma eventual oferta com preço competitivo teria de enfrentar um público que, até o momento, não adotou em massa o segmento elétrico de duas rodas.

“A Honda estuda continuamente a introdução de novas tecnologias no mercado brasileiro, mas segue a política de oferecer a tecnologia certa, no local certo, no momento certo”, afirmou a fabricante.

A postura de cautela também é observada pela maior fabricante global de motocicletas, que registrou recentemente modelos elétricos no país, mas declarou não pretender, por ora, trazer motos elétricas ao mercado brasileiro. A empresa admite potencial para o segmento e condiciona uma eventual entrada a fatores como matriz energética, infraestrutura de recarga, características do mercado e perfil do consumidor. Em relação a prazos e objetivos ambientais, a fabricante tem meta global de carbono zero até 2050.

“Tudo é possível”, resumiu a fabricante.

O registro da Chetak no Brasil reforça o interesse sobre uma eventual chegada, mas é importante distinguir proteção jurídica de decisão comercial. A scooter já havia sido exibida ao público brasileiro em 2023 no Festival Interlagos e reapareceu em 2026 na etapa da MotoGP em Goiânia, onde foi usada para deslocamentos internos em autódromo.

Especificações da Chetak C2501

  • Versão: Chetak C2501 (entrada)
  • Motor: 2,2 kW
  • Bateria: 2,5 kWh
  • Autonomia declarada: até 113 km
  • Velocidade máxima: 60 km/h
  • Recarga: 0 a 80% em cerca de 2h25
  • Peso: 107 kg
  • Capacidade sob o banco: 25 litros
  • Equipamento: painel LCD colorido, conectividade, modos Eco e Sport, assistente de partida em rampa
  • Freios: dianteiro a disco e traseiro a tambor
  • Carroceria: metálica
  • Proteção da bateria: certificação IP67 contra água e poeira

Em resumo, o registro do desenho industrial amplia o interesse sobre a possível chegada da Chetak ao Brasil, mas não autoriza afirmar que haverá lançamento comercial. A decisão dependerá de avaliações de mercado, preços, logística e infraestrutura, além das estratégias comerciais das fabricantes envolvidas.

https://www.youtube.com/watch?v=ftN_pMp4Nt0
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