Exame toxicológico passa a ser exigido para primeira CNH nas categorias A e B; saiba o que pode reprovar

Ronald Doria
3 Min Leitura

Brasília – A partir de dezembro de 2025, candidatos à primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A (motos) e B (carros) precisam apresentar resultado negativo em exame toxicológico de larga janela. A obrigação foi incluída no Projeto de Lei nº 15.153/2025, aprovado pelo Congresso Nacional.

Como funciona o teste

O exame analisa amostras de cabelo, pelos ou unhas para detectar o consumo de substâncias psicoativas em um período mínimo de 90 dias, podendo chegar a 180 dias. A coleta ocorre em postos credenciados, segue cadeia de custódia e o laudo é rastreável.

Substâncias que levam à reprovação

O resultado é considerado positivo quando qualquer composto das classes abaixo é identificado:

Anfetaminas – rebite, ecstasy (MDMA) e “bolinha”.
Canabinoides – maconha, haxixe, skunk.
Opiáceos/Opioides – morfina, heroína, ópio bruto, oxicodona.
Cocaína – cocaína, crack, bazuca.
Outros – mazindol (medicamento para emagrecimento).

Drogas mais detectadas (2021-2025)

Cocaína lidera com 462.643 ocorrências (87%), seguida por opiáceos (37.797), anfetaminas (21.938) e maconha (10.525), segundo a Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran).

Duração dos rastros no organismo

Metabólitos de cocaína, como benzoilecgonina, norcocaína e cocaetileno (formado com ingestão de álcool), permanecem no cabelo por meses. No caso da maconha, resíduos de THC também se fixam na queratina de fios, pelos e unhas, podendo gerar resultado positivo mesmo após uso esporádico.

Medicamentos que podem dar positivo

Entre remédios, o principal risco é o mazindol. Ainda que o candidato apresente prescrição médica, a presença da substância leva à reprovação, pois ela integra a lista de compostos monitorados pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran).

Tentativas de burlar o teste não funcionam

Raspar a cabeça, ingerir grandes quantidades de líquido ou recorrer a chás não altera o resultado: o laboratório pode usar pelos ou unhas, e a janela de detecção não é influenciada por hidratação ou dieta.

Impacto da nova regra

Laboratórios credenciados estimam entre 1,3 milhão e 2 milhões de exames adicionais em 2026, incremento superior a 33% no volume atual. O teste tem validade de 90 dias, custa de R$ 110 a R$ 250 e o resultado costuma sair em até dez dias úteis.

Com informações de G1

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