Veículo chinês Leopardo da Neve roda 10 mil km em estreia na Antártida

Redação GSC
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Um todo-terreno 6×6 desenvolvido na China concluiu seus primeiros testes no continente gelado. Batizado de Leopardo da Neve (Xuê Báo, em mandarim), o veículo percorreu 10 mil quilômetros em 75 dias durante a 42ª Expedição Antártica Chinesa, operando em cinco tipos de superfície: cascalho, neve fofa, neve compacta, gelo marinho e gelo sólido.

O projeto, criado para reduzir a dependência de máquinas sobre esteiras importadas, levou três anos e meio para ficar pronto. Até então, as missões do programa Chinare utilizavam modelos suecos Hägglunds.

Desempenho sobre pneus

Segundo os responsáveis, um veículo 6×6 sobre pneus pode ir quase o dobro da distância de um modelo de esteiras com a mesma quantidade de combustível. Além disso, preserva melhor o terreno, oferece maior conforto e atinge velocidades superiores: o Leopardo da Neve chegou a 28 km/h em neve fofa, 42 km/h em neve dura e manteve 65 km/h sobre gelo sólido, com autonomia aproximada de 700 km por tanque.

Primeiros desafios práticos

Nas missões iniciais, o veículo enfrentou ventos fortes, baixa visibilidade e temperaturas entre 20 °C e –45 °C no verão, que podem cair para –80 °C no inverno. Em um transporte de emergência, percorreu 263 km em 12 horas, mantendo média de 21,9 km/h.

Com capacidade multimissão, o 6×6 serviu ao transporte rápido de pessoal e cargas, apoio emergencial, mapeamento de rotas e suporte a pesquisas de campo. Ele trabalhou ao lado do trator de esteiras THT550 e de sistemas de perfuração por água quente e fusão térmica usados para acessar lagos subglaciais cobertos por até 3.600 m de gelo.

Estrutura e habitabilidade

A cabine é pressurizada, formada por painéis multicamadas com isolamento de alta densidade, vidros triplos aquecidos e aquecedores a diesel capazes de manter o interior habitável por até 24 h com o motor desligado. Os assentos se transformam em beliches, há uma cozinha compacta para derreter neve e sensores monitoram níveis de CO e CO₂.

Pneus e chassis adaptados

Os pneus de baixa pressão trabalham com menos de 7 psi; a carcaça ultraflexível evita que o veículo afunde na neve profunda. Um sistema central controla a calibragem a partir da cabine. A borracha contém alto teor de sílica e aditivos que impedem a vitrificação a –60 °C. Os três eixos distribuem a carga para reduzir a pressão sobre o solo, enquanto diferenciais blocados mantêm tração mesmo no gelo liso. O chassi usa ligas de aço específicas para frio extremo.

Mecânica preparada para o platô antártico

Para compensar a rarefação do ar em altitudes que chegam a 4.000 m, o motor recebe turbocompressores com calibração especial. Quando o veículo está parado na base, um circuito elétrico aquece fluídos de arrefecimento e óleo; em campo, aquecedores independentes usam o próprio combustível.

Combustível, baterias e comunicação

O Leopardo da Neve opera com diesel ártico, mistura de destilado leve e frações de querosene projetada para evitar cristalização a –50 °C, complementada por aditivos lubrificantes. As baterias ficam em compartimentos com resistências elétricas para manter a capacidade de partida. A navegação utiliza o sistema BeiDou-3, que também permite troca de mensagens curtas via satélite.

De acordo com a equipe de operação, o veículo completou mais de 10 mil quilômetros sem registrar falhas e deverá passar por novos aprimoramentos para as próximas expedições chinesas.

Com informações de Motor1 Brasil

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