Mecânico instala turbo de trator em Ford Model T 1908 e aumenta velocidade

Rafael Ramos
4 Min Leitura

Merlin Johnson, do canal Merlin’s Old School Garage, adaptou um turbocompressor de trator Kubota ao motor original do Ford Model T. O motor 2,9 L de 20,3 cv passou de 37 km/h para 45 km/h.

Um preparador norte-americano instalou um turbocompressor retirado de um trator Kubota no motor original de um Ford Model T e conseguiu fazer o conjunto funcionar. O motor, projetado em 1908, passou a levar o carro a 45 km/h, contra os 37 km/h registrados antes da modificação.

O autor do projeto é Merlin Johnson, mecânico experiente que mantém o canal Merlin’s Old School Garage no YouTube. O motor do Model T é um 2,9 litros de quatro cilindros com válvulas laterais que entregava 20,3 cv quando saiu de fábrica.

A sobrealimentação, porém, não foi uma ideia contemporânea ao veículo: o engenheiro suíço Alfred Büchi patenteou em 1905 um projeto de turbina movida a gases de escape, três anos antes do lançamento do Model T. A tecnologia só chegou à produção em série em 1962, com o Oldsmobile Jetfire.

Na execução, a instalação física do turbo foi descrita como a parte mais simples do trabalho. Johnson removeu o coletor de escape de ferro fundido original, abriu um furo, fabricou um flange e parafusou o turbo nesse ponto do motor.

O maior obstáculo foi a lubrificação. Motores do Model T não têm bomba de lubrificação: o óleo circulava por um tubo que ia da frente do motor até o câmbio e era espalhado por respingo, sem pressão. Sem uma linha pressurizada, o eixo da turbina queimaria em poucos instantes.

Para contornar essa limitação, foi utilizada a força centrífuga do volante do motor para empurrar o lubrificante por um tubo de cobre até o turbo. O retorno do óleo foi feito por um sifão simples, que devolve o lubrificante ao motor.

A primeira partida na oficina ocorreu sem vazamentos e o test-drive pelo bairro confirmou o funcionamento do arranjo. Segundo Johnson, a pressão de sobrealimentação ficou em torno de 6 psi (cerca de 0,4 bar), o que indica que o motor centenário suportou ao menos esse nível sem se romper.

O ganho de 8 km/h foi considerado modesto para padrões atuais. Mesmo com a sobrealimentação, o Model T de Johnson seguiria abaixo da velocidade mínima permitida em uma rodovia brasileira com limite de 110 km/h — 55 km/h, metade da máxima, conforme o artigo 62 do Código de Trânsito Brasileiro.

O método adotado não foi apontado como o mais barato nem o mais eficiente para acelerar um Model T, e dificilmente seria copiado em escala por outros proprietários do modelo. Ainda assim, o carro continua entre as bases históricas da cultura hot-rod nos Estados Unidos, o que ajuda a explicar por que segue como alvo de modificações mais de um século depois.

https://www.youtube.com/watch?v=vQ87Cjo1Fkc
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