Seat admite risco de extinção com reestruturação da Volkswagen

Rafael Ramos
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A Seat S.A. diz que sua continuidade está em análise e que nenhuma decisão foi tomada. Documento interno da Volkswagen aponta cenários pós-2030, incluindo aposentadoria do nome criado em 1950.

A Seat S.A., grupo que reúne as marcas Seat e Cupra, admitiu que a continuidade da fabricante espanhola está em análise e que vários cenários permanecem abertos para depois de 2030. Em comunicado divulgado na sexta-feira (4), a empresa afirmou que nenhuma decisão foi tomada, mas registrou pela primeira vez a hipótese de aposentar o nome criado em 1950.

O comunicado foi divulgado um dia depois de um semanário econômico alemão revelar o conteúdo de um documento interno preparado para o conselho de supervisão da Volkswagen, controladora da Seat. Segundo esse documento, há um plano que prevê descontinuar de forma ordenada a marca espanhola até o fim de 2029, com produtos, rede de vendas e parte da estrutura industrial transferidos, sempre que possível, para a Cupra, que nasceu como submarca esportiva.

Nenhuma decisão foi tomada

O texto da Seat confirmou que manter a marca no formato atual exigiria recursos adicionais, conforme o material que circulou internamente. A Volkswagen não confirmou o plano divulgado pelo semanário. A montadora mantém um plano de produtos definido para a Seat, com versões híbridas leves do Ibiza e do Arona previstas para 2027; o que vem depois está em xeque.

O episódio integra o chamado Future Plan 2030 da Volkswagen, aprovado por unanimidade em 3 de setembro. O mesmo conselho havia rejeitado o pacote por 12 votos a 7 em julho. O programa de reestruturação prevê o corte de cerca de 50 mil postos de trabalho, além de outros 50 mil já em andamento, a redução de metade do portfólio de modelos até 2035 e investimentos de €135 bilhões (cerca de R$ 805 bilhões).

A montadora identificou excesso de capacidade superior a 500 mil veículos na Europa e indicou que a produção nos centros de Emden, Zwickau, Hanôver e Neckarsulm — esta última da Audi — não estará assegurada entre 2031 e 2034. As quatro unidades empregam cerca de 45 mil pessoas e a empresa tem até junho de 2027 para apresentar uma alternativa viável para essa capacidade.

Hoje o nome Cupra vem antes do nome do modelo, reflexo da evolução da marca paralela à Seat. No contexto histórico, a Seat chegou ao Brasil em 1995, com importações de Martorell e vendas por meio das concessionárias da Volkswagen, oferecendo modelos como o sedã Córdoba, o hatch Ibiza, o furgão Inca e a perua Vario. A operação nacional foi afetada pelo imposto de importação de 70% e encerrou no início dos anos 2000.

O comunicado da Seat enfatizou que a análise de cenários continuará e que ainda não houve definição sobre o futuro do nome e da estrutura da marca após 2030.

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